Frei Bruno: Postulador nomeado pelo Vaticano explica etapas do processo de Beatificação

Lançamento do processo de investigação aconteceu em Joaçaba no final de semana

Frei Italiano explica processo de Beatificação de Frei Bruno

    O processo diocesano de beatificação de Frei Bruno foi aberto oficialmente na manhã desta sábado (03) durante solenidade realizada em Joaçaba com a presença do Bispo Diocesano e dos três postuladores que foram nomeados pelo vaticano para comandar o processo de investigação. O autor do processo é a província Franciscana com sede em São Paulo.

   Os freis designados são: Giovan Giuseppe Califano, postulador que vai receber a documentação e conduzir as etapas na Itália; Frei Estevão Ottenbreit – vice-postulador no Brasil com sede em São Paulo e Frei Alex Sandro Cianoscki – vice postulador de Xaxin. 

   O grupo esteve reunido em Joaçaba com os representantes da Associação de Frei Bruno e com as lideranças da Igreja Católica. Durante o encontro foram repassadas orientações e definidas etapas de trabalho no processo que poderá levar alguns anos.   A partir de agora os dois vice-postuladores vão entrevistar pessoas que tiveram contato com Frei Bruno e reunir provas testemunhais e científicas para envio ao Vaticano.

   Durante entrevista coletiva Frei Giovan Giuseppe disse que o processo no Brasil, nas regiões por onde Frei Bruno passou, poderá levar até dois anos. Após este período o material será analisado na Itália, etapa que poderá demorar cerca de 5 anos. O postulador vai atuar como advogado da causa no Vaticano. Lá, com a documentação que será enviada, existirá um relator que analisará questões como a vida, a virtude e a fama de santo do candidato, no caso Frei Bruno.

Frei Italiano, Giovan Giuseppe Califano, explica etapas do processo de Beatificação de Frei Bruno.

Conheça a oração para beatificação de Frei Bruno que foi lançada no final de semana em Joaçaba:

A Beatificação:

Com a Beatificação pelo papa, a pessoa santa passa a ser chamada de Beato ou Beata (o mesmo que Bem-aventurado). Com a Beatificação permite que se preste culto público a essa pessoa, em determinadas regiões. A beatificação surgiu no século XV, e era um privilégio concedido pelo Papa em previsão da futura canonização, permitindo que já se começasse a prestar culto a algum Servo de Deus em determinada região antes que fosse declarado santo. Nesses casos, a causa já se encaminhava para o seu fim, faltando apenas alguns dos vários milagres exigidos. No século XVII a beatificação acabou se tornando um passo obrigatório antes da canonização, e nesse sentido, muitas causas acabaram se encerrando com ela, já que os atores (da causa) não tinham mais interesse em prosseguir com os trabalhos necessários para a canonização. A beatificação passou a ser considerada uma fase completa, uma "mini-canonização", útil ao objetivo principal de poder prestar culto ao Servo de Deus na região onde ele era conhecido. Não obstante, a tendência da Igreja hoje é encarar a beatificação como um passo para a canonização, e não uma instituição completa em si. Por isso as causas são chamadas de "Causas de canonização", e não mais "Causas de beatificação" como acontecia até recentemente, antes da reforma de 1983. Juridicamente falando, a beatificação não é sequer mencionada na legislação atual, o que faz com que ela, teoricamente, não seja mais um requisito indispensável à canonização.

Nesse sentido tem grande importância a existência da beatificação, ou seja, declarar alguém Beato. O título de beato quer dizer que é permitido prestar culto público a um Venerável ( Venerável é o servo de Deus cujo processo concluiu que ele viveu as virtudes cristãs em grau heróico). Uma das diferenças entre santos e beatos é que o beato tem o seu culto limitado a algumas regiões, enquanto que o santo é cultuado universalmente, em toda a Igreja. Assim, no que diz respeito à existência de culto público em determinada região, santos e beatos se eqüivalem. A beatificação já cumpre a nível regional a função principal da canonização, que é propor o exemplo e a intercessão de um servo de Deus. Em quais regiões pode ser cultuado um beato? Nos lugares onde ele viveu, ou seja: onde nasceu, onde viveu e onde morreu. Madre Paulina, por exemplo, quando era Beata, podia ser cultuada também na Itália, sua terra natal. Isso significa que, ao dizer que uma região precisa de santos, o papa não está se referindo somente aos santos canonizados, mas aos beatos dessa região. Eles são igualmente importantes nesse sentido.

Fonte: Radio Catarinense