A
redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é muito
parecida com as de vestibulares, mas com alguns traços
característicos. A temática mais voltada para o social e a
aplicação dos cinco conceitos explorados na prova objetiva são
os principais pontos que a diferencia das demais. O texto deve
ser estruturado na forma de prosa do tipo
dissertativo-argumentativo, uma preocupação com a reflexão.
"O Enem quer
formar cidadãos, pessoas com uma visão global do que acontece ao
seu redor e capazes de opinar sobre isso", explica Osmar
Junqueira Lima, professor de português e literatura do Instituto
Henfil, ONG paulista que oferece cursos de preparação para a
prova.
Apesar de ter
uma estrutura semelhante às redações dos vestibulares comuns, o
texto a ser redigido na prova do Enem exige do aluno um
raciocínio mais homogêneo e completo. Para Lima, a palavra que
define a redação é "interdisciplinaridade". Ou seja, "o aluno
deve saber enxergar os acontecimentos como um todo, não em
quadros isolados".
Em termos
práticos, um tema será apresentado, e o candidato deverá
desenvolver suas idéias sobre este assunto de forma coerente e
organizada. "Isso significa levantar uma tese nas primeiras
linhas, desenvolvê-la e defendê-la nos parágrafos seguintes",
diz a professora de português do Cursinho da Poli, Cássia Diniz
Moraes.
Isso fica claro
nas competências de avaliação da prova objetiva, cobradas de uma
forma um pouco diferente na questão da redação.
A competência I,
referente ao domínio da linguagem, aplicada à redação, significa
fazer uso da norma culta da língua portuguesa. Serão examinados
aspectos como a concordância verbal e nominal, pontuação,
ortografia e acentuação. Cássia confirma a importância deste
aspecto na prova. "Não adianta o aluno ter uma boa proposta para
o tema, se não domina o conteúdo gramatical".
A competência II
consiste em saber construir e aplicar conceitos e compreender
fenômenos. Na redação, isso significa compreender a proposta e
aplicar os conceitos conhecidos para desenvolver este assunto.
Feito isso, o candidato deve saber selecionar e hierarquizar o
seu conhecimento para responder a questão apresentada pelo tema,
exigência que caracteriza a competência III. "A prioridade no
Enem é saber inter-relacionar os conteúdos", explica Cássia.
A temática,
talvez o aspecto mais peculiar do Enem, geralmente propõe
abordagens sociais, como violência, política e educação. Segundo
Cássia, temas mais polêmicos implicam em um bom conhecimento do
assunto. É aí que entra a competência IV. Ela exige do candidato
saber construir um argumento consistente, ou seja, por meio dos
conceitos selecionados e hierarquizados, defender um ponto de
vista. Fazer isso, afirma Lima, obriga o aluno a saber o que
está falando.
Ao desenvolver a
questão apresentada, o candidato deve incluí-las em um contexto
de diversidade cultural e respeito aos valores humanos e
apresentar propostas de intervenção solidária na realidade, que
é a competência V. Isso significa pensar em cidadania. E ser
cidadão é refletir sobre os problemas que afetam a sociedade,
desenvolver uma opinião e procurar soluções. Fazendo isso, o
candidato alcança os cinco tópicos propostos pelo Enem e,
segundo Lima, "dá um passo para participar da sociedade do
futuro".
fonte: Terra