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A ÁGUA NA TRANSMISSÃO DE DOENÇAS
Doenças provocadas por agentes
microbiológicos, a água é normalmente
habitada por vários tipos de microorganismos
de vida livre e não parasitária, que dela
extraem os elementos indispensáveis à sua
sobrevivência. Ocasionalmente são
organismos patogênicos, que utilizam a água
como veículo, e constitui um perigo
sanitário potencial para a saúde da
população.
É interessante notar que a quase totalidade
dos organismos patogênicos são incapazes de
viver em sua forma adulta ou se reproduzirem
fora do organismo que lhe serve de
hospedeiro. Portanto, têm a vida limitada
quando se encontram na água, isto é fora do
hospedeiro. Alexandre Houstron demonstrou em
1908 que quando uma água contaminada com
bacilos da febre tifóide era armazenada por
uma semana, mais de 99% desses germes eram
destruídos.
São vários os agentes de destruição natural
de patogênicos nas águas armazenadas. Além
da temperatura, destacam-se os efeitos da
luz, a sedimentação, a presença ou não de
oxigênio dissolvido, de parasitas ou
predadores de bactérias, substâncias tóxicas
ou antibióticos produzidos por outros
microorganismos (como algas ou fungos).
Os microorganismos patogênicos são
classicamente agrupados em vírus, bactérias
e helmintos. Para cada grupo determinam-se
famílias, gêneros e espécies, que
identificam os diversos agentes causadores
de doenças, denominados agentes etiológicos.
Forma, uma bactéria do gênero Vibrium,
espécie V.cholerae é causadora de
cólera, um protozoário do gênero Giárdia,
espécie G.lamblia, provoca a
giardíase e a larva do helminto do gênero
Taenia, Espécie T.solium, é responsável pela
teníase.
Entretanto, para efeito de prevenção e
controle de doenças, particularmente aquelas
relacionadas com água, uma outra
classificação se mostra útil. Trata-se da
classificação que enfoca as vias de
transmissão e o ciclo do agente, também
conhecida como classificação ambiental das
infecções relacionadas com a água, proposta
por Cairncross e Feachem em 1990.
Entre as infecções do Grupo I figuram as
diarréias e as disenterias, cujos agentes
etiológicos podem ser bactérias, como o
V.cholerae no caso da cólera ou
protozoários, como a Giárdia lamblia,
no caso giardíase.
O que agrupa essas informações é o fato
desses encontrarem-se na água, sendo sua
ingestão fator importante para a instalação
da doença.
Portanto, o tratamento e a desinfecção da água é uma ação muito
importante na prevenção dessas infecções,
pois melhora a qualidade da água.
O Grupo II, por outro lado, aparecem duas
infecções que se manifestam em condições de
carência de água, Cuja falta ou escassez
impede o desenvolvimento de práticas
efetivas de higiene. Nesse caso, a medida de
prevenção passa por facilitar ou aumentar o
acesso à água, isto é, aumento na quantidade
de água.
A esquistossomose é um exemplo clássico do
Grupo III, quando a infecção se instala
mediante o contato do homem com os agentes
existentes na água, sem haver,
necessariamente, sua ingestão.
As medidas de prevenção para esse caso devem
envolver um conhecimento maior do cotidiano
da população, inclusive aspectos ligados às
atividades produtivas (agricultura em áreas
alagadas, pesca garimpo), de modo a avaliar
a vulnerabilidade do grupo frente ao risco
de contrair a doença.
Finalmente, a dengue, a malária e a
filariose são infecções do Grupo IV, cujos
agentes etiológicos (vírus, protozoário e
nematóide, respectivamente) entram em
contato com o homem através de mosquitos que
se procriam na água. Nesses casos, a água
oferece as mais apropriadas condições para a
proliferação do vetor. Sendo a medida de
prevenção mais adequada o reconhecimento e
eliminação do habitat que serve de
criadouro, já que os aspectos como qualidade
e quantidade de água não são relevantes.
AS DOENÇAS PROVOCADAS POR AGENTES QUÍMICOS
Através do ciclo hidrológico, a água está em
permanente contato com os componentes do
meio ambiente (ar e solo), dissolvendo
muitos elementos e carreando outros em
suspensão. A atividade humana, por outro
lado, vem introduzindo nas águas um número
crescente de substâncias.
Várias são as substâncias químicas que podem
poluir as águas subterrâneas ou superficiais
e comprometer a saúde do homem. Dentre elas
podemos citar os agrotóxicos (herbicidas,
inseticidas, raticidas, etc) e os despejos
industriais contendo metais pesados como
cromo, mercúrio e chumbo.
Os efeitos que estas substâncias químicas
podem ter sobre o organismo humano dependem
de sua concentração, toxidez e da sua
suscetibilidade individual, que é variável.
No item "Parâmetros Físico-Químicos"
encontram-se detalhados alguns efeitos à
saúde decorrentes do consumo de água com
concentrações elevadas de algumas dessas
substâncias.
PARÂMETROS BACTERIOLÓGICOS
O papel da água na transmissão de
determinadas doenças infecciosas e
parasitárias é fato bastante conhecido.
Portanto, uma avaliação de potabilidade da
água deve passar, necessariamente, pelo
parâmetro bacteriológico.
Apesar de conhecer bem cada um dos
microorganismos responsáveis pelas doenças
infecto-parasitárias, sua identificação e
quantificação em águas de abastecimento são
impraticáveis. Além das técnicas
laboratoriais serem trabalhosas, esses
microorganismos patogênicos, quando
presentes em águas de abastecimento, ocorrem
em número reduzido, sendo necessário
pesquisar grandes volumes de água. Além
disso, chegam na água de forma intermitente.
Essas dificuldades foram solucionadas com
descoberta de microorganismos indicadores.
Isso é possível porque, no caso das doenças
citadas no Grupo I, os microorganismos
patogênicos são eliminados pelas fezes do
indivíduo doente. Como o intestino humano é
habitado por vários outros microorganismos
não patogênicos e que existem em maior
número, decidiu-se pesquisar a presença
destes em água de abastecimento.
Entre os vários gêneros e espécies de
microorganismos não patogênicos presentes no
intestino humano, aqueles conhecidos como
Grupo Coliforme passaram a ser denominados
indicadores da presença de microorganismos
patogênicos em águas de abastecimento. As
principais razões dessa escolha são as
seguintes:
Aparecem em grande quantidade nas fezes
humanas. Cada individuo pode eliminar até
100 bilhões deles num único dia, devido a
isso a possibilidade de serem encontrados na
água é muito grande.
São encontrados apenas nas fezes, de animais
de sangue quente ou homeotermos, classe que
inclui o homem e todos os mamíferos. Essa
característica é importante, pois uma vez
identificada a sua presença, pode-se afirmar
que a água teve contato com excretas desses
animais.
Do ponto de vista da resistência às
condições ambientais (temperatura e outros
agentes desinfetantes), são muito
semelhantes aos microorganismos patogênicos
intestinais. Trata-se de característica
importante, pois se fossem mais suscetíveis
(sobrevivessem menos tempo que os
patogênicos), não poderiam ser
identificados, isto é, não seriam
indicadores. Se fossem menos suscetíveis
(sobrevivessem por mais tempo), poderia
aparecer em águas já livres dos patogênicos.
Sua identificação, do ponto de vista
laboratorial, requer técnicas simples e
econômicas, ao contrário daquelas
necessárias à identificação dos
microorganismos patogênicos.
Embora seja usual denominar esses
microorganismos como Grupo Coliforme, é
conveniente dividi-los em três principais
subgrupos mais comumente utilizados como
indicadores de contaminação de água de
abastecimento: coliformes totais, coliformes
fecais ou termotolerantes e estreptococos
fecais (os estreptococos não pertencem ao
grupo coliforme).
COLIFORMES TOTAIS (CT)
Reúne um grande número de bactérias, entre
elas a Eschrichia coli, de origem
exclusivamente fecal e que dificilmente se
multiplica fora do trato intestinal. O
problema é que outras bactérias dos gêneros
Citrobacter, Enterobacter e
Klebsiella, igualmente identificadas
pelas técnicas laboratoriais como coliformes
totais, podem ser encontrados no solo e nos
vegetais. Desta forma, não é possível
afirmar categoricamente que uma amostra de
água com resultado positivo para coliformes
totais tenha entrado em contato com fezes.
COLIFORMES FECAIS
Pertencem a esse subgrupo os microorganismos
que aparecem exclusivamente no trato
intestinal. Em laboratório, a diferença
entre coliformes totais e fecais é feita
através da temperatura (os coliformes fecais
continuam vivos mesmo a 44ºC, enquanto os
coliformes totais têm crescimento à 35ºC).
Sua identificação na água permite afirmar
que houve presença de matéria fecal, embora
não exclusivamente humana.
ESTREPTOCOCOS FECAIS (EF)
Embora sua identificação não seja rotina em
laboratórios de análise de água, trata-se de
um subgrupo importante, já que fazem parte
dele as espécies do gênero Streptococos que
ocorrem apenas no trato intestinal do homem
e de animais de sangue quente, como os
Coliformes Fecais. Existe uma correlação
entre a ocorrência de Coliformes Fecais e
Estreptococos Fecais. Normalmente empregada
em cursos de água, consiste em quantificar o
número de microorganismos de cada um dos
subgrupos existentes em uma amostra. Se a
relação CF/EF resultar maior que 4, diz-se
que a amostra apresenta contaminação fecal
predominantemente humana. Se essa relação
for menor que 1 a contaminação fecal
predominante será de animais de sangue
quente. Os resultados que se encontrarem
entre esses dois valores não permitem
inferir nada a respeito da origem da
contaminação fecal.
PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS
A definição dos parâmetros físico-químicos e
organolépticos parte da premissa que a
presença de alguns minerais em águas
destinadas ao consumo humano é inevitável e,
em determinadas concentrações, é até
desejável. Quando se trata de minerais de
ocorrência natural, como ferro, manganês e
cálcio e seus compostos (carbonatos e
sulfatos), diz-se que sua presença se
relaciona à gênese do manancial. É o caso de
poços profundos, cuja água muitas vezes
adquire características da rocha por onde se
infiltra e se acumula. Existem alguns outros
elementos que podem estar presentes na água
intencionalmente ou não.
O cloro aparece na água porque é adicionado
na etapa de desinfecção. A água também pode
apresentar resíduos de alumínio, já que esse
elemento é empregado no tratamento, na etapa
de coagulação e floculação. Por outro lado,
a atividade industrial, ao lançar efluente
não tratado no meio ambiente, pode ser
responsável pela presença na água de
elementos como cromo hexavalente, chumbo e
cádmio, e de compostos como fenóis e
organoclorados. Finalmente, a atividade
agrícola, particularmente aquela que se
utiliza insumos químicos, pode trazer para a
água os organoclorados e organofosforados,
que se constituem nos principais agrotóxicos
utilizados no país. Além disso, o escoamento
superficial costuma arrastar para os rios e
lagoas parte dos adubos utilizados, cujos
compostos nitrogenados são os mais comumente
encontrados.
Listam-se a seguir uma série de parâmetros
físico-químicos relacionados à qualidade de
água e respectiva importância do ponto de
vista da saúde
COR
A presença na água de partículas muito
pequenas é que lhe conferem cor. Diz-se que
essas partículas encontram-se em solução na
água, e podem ter origem em material
orgânico (húmus, algas, entre outras) ou
inorgânico (compostos de ferro e manganês,
por exemplo).
Do ponto de vista sanitário, águas de
abastecimento com valores altos de cor são
inadequadas porque podem ser rejeitadas pelo
consumidor, a despeito de poderem estar
livres da presença de microorganismos (ao
utilizar-se de "águas cristalinas" de outras
fontes, o consumidor pode acabar utilizando
água contaminada, pois a ausência de cor na
água não lhe dá garantia de água isenta de
contaminação).
TURBIDEZ
Nas águas com turbidez, as partículas
encontram-se em suspensão, sendo maiores do
que aquelas que produzem cor. Podem ter
origem orgânica ou inorgânica, estando mais
comumente associadas à presença de algas e
argilas na água. Esgotos domésticos e
efluentes industriais podem conferir
turbidez à água.
As partículas em suspensão são
suficientemente grandes para abrigar
microorganismos, que não serão atingidos com
a adição de cloro na água. Portanto, a
remoção da turbidez é necessária antes de
fazer a cloração, a unidade de medida da
turbidez é a Unidade Nefelométrica de
Turbidez (NTU).
SABOR E ODOR
Embora não exista unidade para medir sabor e
odor, sua presença em águas de abastecimento
é extremamente indesejável, por provocar a
imediata recusa pelo consumidor.
Podem ter as mais diversas origens, desde
naturais (caso das águas sulfurosas) até
artificiais, pelo aparecimento na água de
compostos presentes em efluentes
industriais. O fenol, por exemplo, produz
sabor e odor perceptíveis em concentrações
acima de 1,0 mg/L. Dependendo da qualidade
da água do manancial. A remoção de sabor e
odor presentes na água devem ser realizados
na etapa de tratamento, onde o processo mais
utilizado é o de filtração em carvão
ativado.
DUREZA
A presença de sais alcalinos de cálcio,
sódio e magnésio, e algumas vezes de ferro,
conferem à água uma característica
denominada dureza.
Os sais de cálcio e magnésio, que são os
carbonatos e os bicarbonatos, têm ocorrência
natural em alguns mananciais. A dureza que
conferem à água recebe o nome de dureza
temporária. .
Níveis elevados desses sais podem alterar o
sabor da água, mas o principal prejuízo é
econômico, devido ao aumento de consumo de
sabão e alguns tipos de detergentes
dependendo da sua composição, já que as
águas duras requerem mais sabão para
produzir espuma. Além do prejuízo econômico,
o aumento de sabão implica num porte maior
de fosfatos aos esgotos, aumentando a
poluição.
FERRO
Por se tratar de um elemento abundante no
planeta, é comum aparecer em águas de
abastecimento na forma de óxidos de ferro
(Fe2O3). A forma (Fe3+)
é mais freqüente em águas provenientes de
aqüíferos, pois no contato com oxigênio
oxida-se para a forma reduzida (Fe2+),
resultando compostos menos solúveis.
Águas com concentrações de ferro acima de
0,3 mg/ L mancham louças sanitárias e roupas
quando da sua lavagem. Águas ferruginosas
dão condições ao aparecimento de
ferrobactérias, como o gênero Galionella,
por exemplo. Essas bactérias oxidam o ferro,
que precipita dentro das canalizações
provocando entupimentos. Além disso,
conferem um odor fétido à água, fazendo o
consumidor recusá-la. Os processos de
remoção do ferro no tratamento da água
incluem aeração, cloração e filtração.
MANGANÊS
Tal qual o ferro, o manganês altera a cor e
sabor das águas quando atinge concentrações
acima de 0,1 mg/L. O estado reduzido (Mn2+)
é mais freqüente em águas subterrâneas, pois
em contato com a superfície se oxida
formando compostos menos solúveis.
Sua remoção, realizada em estação de
tratamento, é feita através de aeração e
filtração, evitando que com isso ocorra
precipitação de manganês ao longo da rede de
distribuição, provocando entupimentos.
NITROGÊNIO
Presente na atmosfera na forma de gás (N2),
o nitrogênio é mais abundante que o oxigênio
(79% N2 para 20% O2 e
1% para os demais gases). Entretanto, não é
na respiração que ele é requerido pelos
seres vivos, mas na forma de proteínas,
cujas unidades formadoras são aminoácidos,
que possuem nitrogênio na molécula. Sendo as
proteínas as unidades estruturais de todos
os organismos, a presença de compostos
nitrogenados na água indica que ela entrou
em contato com matéria orgânica.
Pode-se dizer que na composição de matéria
orgânica, o nitrogênio presente nas
proteínas passa por uma fase amoniacal (NH4+),
passando pela fase de nitrito NO2
convertendo-se daí em nitrato (NO3-).
Nesta forma, ele pode ser absorvido pelos
vegetais, chegando até os outros organismos
vivos, fechando o ciclo.
A presença na água de compostos nitrogenados
descritos acima permite inferir sobre o
tipo, freqüência e distância da contaminação
orgânica.
O nitrogênio albuminóide é aquele resultante
da morte de seres vivos. Sua transformação
em NH4- (nitrogênio
amoniacal) indica o início de oxidação, que
produzirá NO2-
(nitrogênio nitroso) e, em seguida, NO3-
(nitrogênio nítrico). Um resultado de
análise de água onde o nitrogênio
albuminóide aparece em concentrações maiores
que o nitrogênio amoniacal indica presença
de matéria orgânica não decomposta.
Caso o resultado seja o contrário, isto é, o
nitrogênio amoniacal maior que o nitrogênio
albuminóide, admite-se que a matéria
orgânica presente na água já se encontra em
processo de decomposição. Como a
transformação N-albuminóide à N-amoniacal é
mais rápida quando a matéria orgânica provém
de excretas de animais do que de vegetais
(folhas e galhos, por exemplo), esse
resultado deverá ser investigado fazendo uma
análise se esta água teve contato recente
com excretas.
A presença de nitritos (NO2-
ou nitrogênio nitroso) em
concentrações elevadas indica que a matéria
orgânica presente na água encontra-se a
pouca distância do ponto onde foi feita a
coleta para análise. Os nitritos são uma
forma transitória, sendo rapidamente oxidado
à nitrato (NO 3-). Sua
persistência indica despejo contínuo de
matéria orgânica.
Os nitratos (NO3- ou
nitrogênio nítrico) são o último estágio da
oxidação do nitrogênio. Resultados de
análises com altas concentrações de nitratos
indicam que a matéria orgânica que entrou em
contato com a água encontrava-se totalmente
decomposta. Esse fato não significa que a
água esteja isenta de outros contaminantes.
Do ponto de vista sanitário, altas
concentrações de nitratos podem provocar
metahemoglobinemia, uma alteração na
hemoglobina que pode provocar sintomas
semelhantes à asfixia.
pH
O pH é um parâmetro importante no processo
de tratamento, pois está relacionado com:
·
Coagulação e Floculação;
·
Desinfecção;
·
Solubilidade de metais;
·
Corrosão;
·
Incrustações.
No Brasil a maioria das águas são ácidas ou
levemente ácidas.
No processo de tratamento de água, o pH
comanda boa parte das reações, sendo
determinante para a eficiência dos
coagulantes.
ALCALINIDADE
Alcalinidade está relacionada a sais
alcalinos de sódio, cálcio e magnésio, mas
nem sempre a alcalinidade está associada a
sais alcalinos. A alcalinidade é devida a
hidróxidos carbonatos e bicarbonatos e mede
a capacidade da água neutralizar ácidos. A
maioria das águas naturais brasileiras tem
baixa alcalinidade. O tratamento de água
pode alterar o valor da alcalinidade.
A alcalinidade nas águas naturais também
está relacionada com o pH. Quando o pH é
maior que 9,4 a alcalinidade é devida a
hidróxidos e carbonatos. Quando o pH está
entre 8,3 e 9,4 a alcalinidade é devida a
carbonatos e bicarbonatos.
A alcalinidade é expressa em mg/L de CaCO3.
Em concentrações moderadas não há restrição
ao consumo humano. Em níveis elevados pode
conferir sabor desagradável.
OXIGÊNIO CONSUMIDO
O oxigênio consumido avalia o conteúdo de
matéria orgânica presente na água.
Em uma Estação de Tratamento de Água, se
houver queda no oxigênio podem estar
ocorrendo anormalidades, como, por exemplo,
reservatório sujo, filtro excessivamente
colmatado, desenvolvimento de matéria
orgânica no decantador etc.
Outras medidas de avaliação da quantidade de
oxigênio consumido nas reações químicas são
a Demanda Química de Oxigênio (D.Q.O.) e a
Demanda Bioquímica de Oxigênio (D.B.O.).
A diferença entre D.B.O. e D.Q.O. é que a
DQO refere-se à oxidação da matéria orgânica
e outros compostos através de reações
químicas, enquanto na D.B.O. essa oxidação é
realizada por microorganismos.
FENÓIS
Os compostos fenólicos são definidos como
hidróxidos derivados do benzeno e seus
condensados.
À origem dos fenóis em uma água pode ser
atribuída aos dejetos industriais, hidrólise
e oxidação fotoquímica dos agrotóxicos
organofosforados e degradação microbiana de
herbicidas.
Alguns compostos fenólicos são resistentes à
degradação microbiológica e são
transportados a longas distâncias pela água.
Concentrações de compostos fenólicos acima
de 1,0 mg/L afetam as propriedades
organolépticas para o consumo humano.
Não são eficientemente removidos no
tratamento convencional, ocorrendo formação
de compostos fenólicos quando é feita
pré-cloração em águas com altas
concentrações de fenóis.
ALUMÍNIO
A concentração de alumínio em águas de
abastecimento é geralmente devida a
refloculação na rede e reservatórios do
sulfato de alumínio utilizado no processo de
floculação na ETA, que pode trazer problemas
estéticos ou de desinfecção.
CROMO HEXAVALENTE
A ocorrência natural de sais de cromo
(cromatos) é muito rara. Quando presentes,
se originam da poluição de despejos
industriais. A dose tóxica para o homem é de
0,5 mg/L de bicarbonato de potássio
(Rothstein). Sendo que a portaria 518
limita a 0,05 mg/L como valor máximo
permitido em água potável.
TRIHALOMETANOS
Os trihalometanos (THMs) constituem um grupo
de compostos orgânicos que, como seu nome
indica, são derivados do metano (CH4),
em cuja molécula os três átomos de
hidrogênio são substituídos por igual número
de halogênios (cloro, flúor, bromo ou iodo).
Ainda que por sua denominação esses
compostos sejam considerados como
procedentes do metano, este gás não tem nada
a ver com sua formação. Eles se originam de
substâncias orgânicas muito mais complexas
que o metano, cuja ocorrência é comum em
águas superficiais. Entre essas substâncias
aparecem os ácidos húmicos e fúlvicos
(derivados de húmus presente no solo), que
reagem com o cloro durante a desinfecção
produzindo os trihalometanos, obedecendo a
um complicado mecanismo onde halogênios
acondicionados à água reagem com os
derivados do húmus que este meio
habitualmente contém.
Em relação à contaminação de água potável, o
problema refere-se à presença de quatro
compostos desse grupo:
Clorofórmio(CHCl3);
DibromoClorometano(CHBr2Cl);
Bromodiclorometano(CHBr2Cl2);
Bromofórmio (CHBr3)
O mais comumente encontrado é o clorofórmio,
razão pela qual a maioria das informações
toxicológicas referem-se a esta substância.
FLUORETOS
Os fluoretos ocorrem naturalmente em muitos
sistemas de abastecimento. Considera-se que
são componentes essenciais da água potável,
sobretudo para a prevenção de cáries
dentárias. Uma coletividade consumindo água
com concentrações inferiores a 0,6 mg/L de
fluoretos apresentam alta incidência de
cárie.
Evidências epidemiológicas permitem afirmar
que em concentrações elevadas os fluoretos
podem causar a fluorose dentária em crianças
e até fluorose endêmica acumulativa, com
conseqüentes lesões em crianças e adultos.
As concentrações de fluoretos em água
potável são estabelecidas considerando a
quantidade de fluoreto ingerida diariamente.
Conforme a legislação federal sobre
fluoretação das águas de abastecimento
público a portaria Nº 635/BSB de 26 de
dezembro de 1975:
Tabela das dosagens do íon Fluoreto segundo
média diária das temperaturas máximas do ar
(ºC)
Limites recomendados para a concentração do
íon Fluoreto em função da média das
temperaturas máximas diárias
|
Média das temperaturas máximas
diárias do ar ºC |
Limites recomendados para a
concentração do íon fluoreto em mg/L |
|
Limite Inferior |
Limite Superior |
Recomendado |
|
10,0 - 12,1 C° |
0,9 |
1,7 |
1,2 |
|
12,2 - 14,6C° |
0,8 |
1,5 |
1,1 |
|
14,7 - 17,7 C° |
0,8 |
1,3 |
1,0 |
|
17,8 - 21,4 C° |
0,7 |
1,2 |
0,9 |
|
21,5 - 26,3 C° |
0,7 |
1,0 |
0,8 |
|
26,4 - 32,6 C° |
0,6 |
0,8 |
0,7 |
ASPECTOS GERAIS DAS TÉCNICAS DE COLETA DE
ÁGUAS PARA ANÁLISES BACTERIOLÓGICAS E
FÍSICO-QUÍMICOS
A técnica a ser adotada para coleta das
amostras depende do tipo de água a ser
coletada (água tratada, água bruta, água
residuária, etc.) e do tipo de análise a ser
solicitada (análises físico-químicas,
microbiológicas ou radiológicas).
Em qualquer situação deve-se observar os
seguintes aspectos:
As amostras não devem incluir partículas
grandes, detritos, folhas, ou outro tipo de
material acidental, salvo quando se tratar
de amostra de sedimento;
Quando se tratar de água corrente, a amostra
deve ser coletada com a boca do frasco
contra a corrente, de modo a minimizar o
risco de contaminação da amostra;
Deve-se coletar volume suficiente de amostra
para eventual necessidade de se repetir
alguma análise no laboratório;
Realizar todas as determinações de campo
(ex: pH, cloro, temperatura) em alíquotas de
amostras separadas daquelas que serão
enviadas ao laboratório, evitando-se assim
risco de contaminação;
Empregar somente frascos e acondicionamento
adequado para cada tipo de determinação,
verificando se todos materiais para
conservação adequados para o uso. Em caso de
dúvida, substituí-los. Verificar também a
limpeza dos frascos e demais materiais de
coleta (baldes, garrafas, pipetas, isopor,
etc.).
As partes internas dos frascos e do material
de coleta, como batoques e tampas, não podem
ser tocados com a mão ou ficar expostos ao
pó, fumaça e outras impurezas, tais como
gasolina, óleo e fumaça de exaustão de
veículos, que podem ser grandes fontes de
contaminação de amostras. Cinzas e fumaça de
cigarro podem contaminar fortemente as
amostras com metais pesados e fosfatos,
entre outras substâncias. Recomenda-se que
os coletores mantenham as mãos limpas ou
usem luvas plásticas cirúrgicas, e não fumem
durante a coleta das amostras;
Imediatamente após a coleta o
acondicionamento das amostras, deve-se
mantê-las ao abrigo da luz solar;
As amostras que exigem refrigeração para sua
correta conservação devem ser acondicionadas
em caixas de isopor com gelo, porém sem o
contato direto com o mesmo;
Deve-se manter registro de todas as
informações de campo, preenchendo uma ficha
de coleta por amostra ou conjunta de
amostras com a mesma característica.
A ficha de coleta de campo deve conter as
seguintes informações:
·
Número de identificação da amostra.
·
Identificação do ponto de amostragem e sua
localização.
·
Data e hora da coleta
·
Procedência da água (rede pública, mina
poço, etc.).
·
Medidas de campo (temperatura ar/água, pH,
cloro, etc.).
·
Eventuais observações de campo.
·
Condições meteorológicas nas últimas 24
horas que possam interferir na qualidade da
água.
·
Identificação dos parâmetros a serem
analisados no laboratório.
·
Nome do responsável pela coleta.
·
Nome do solicitante, com telefone para
contato.
UNIDADES DE UM SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE
ÁGUA
A Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde
- Define Sistema de abastecimento de água
para consumo humano como um conjunto de
instalações de obras civis, materiais,
equipamentos, atividades, destinados à
produção e à distribuição canalizada de água
potável para populações, sob a
responsabilidade do poder público, mesmo que
administrada sob regime de concessão ou
permissão..
Um sistema de abastecimento público de água,
geralmente compreende as seguintes unidades:
captação, adução, , tratamento, reservação e
distribuição. A seguir, apresenta-se um
rápido resumo de cada uma delas, quanto à
etapa de tratamento, será mais completa.
1. CAPTAÇÃO
A captação é o local de onde é extraída a
água bruta para o tratamento e posterior
distribuição da água tratada. Os mananciais
utilizados para abastecimento podem prover
das águas pluviais, superficiais e
subterrâneos.
Os provenientes de águas pluviais
normalmente não são utilizados pelos
sistemas de abastecimento de água.
CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUPERFICIAIS
A captação de águas superficiais é a
extração da água dos rios, córregos,
represas e lagos. Uma captação de água
superficial deve atender aos seguintes
requisitos:
Garantir o suprimento e funcionamento
contínuo inclusive em épocas de estiagem.
Localizar-se em ponto de maior proteção
sanitária contra eventual poluição e
acidente com produtos químicos, a fim de
garantir a melhor qualidade da água bruta.
Nas represas e lagos, é comum a qualidade da
água alterar conforme a profundidade, devido
à existência de matéria orgânica e outras
substâncias. É também comum o aparecimento
de algas nessas águas.
CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
As águas subterrâneas são aquelas
provenientes do subsolo, sendo classificadas
em águas de lençol freático e águas de
lençol confinado.
As águas de lençol freático são aquelas que
se encontram livres, sob pressão da
atmosfera. Um poço perfurado nessas
condições recebe a denominação de poço
freático, poço raso, cacimba ou amazonas.
As águas de lençol confinado são aquelas que
se encontram confinadas por camadas
impermeáveis e sujeitas a uma pressão maior
que a pressão atmosférica. O aproveitamento
se dá por meio de poços profundos ou
artesianos.
2. ADUÇÃO
Entende-se por adução o conjunto de
tubulações, peças e obras destinadas a levar
a água bruta do ponto de captação até o a
estação de tratamento ou reservatório de
tratamento em caso de águas subterâneas que
não necessitam do tratamento convencional.
Também são consideradas adutoras redes
instaladas que levam água tratada de um
ponto a outro para depois ser distribuída. A
adução tanto de água tratada quanto de água
bruta e podem ser realizadas por gravidade,
por recalque por meio de conjuntos moto
bombas ou de forma mista.
3. TRATAMENTO
O tratamento de água tem por finalidade
adequar a água aos padrões de potabilidade.
Existem vários processos de tratamento e a
sua escolha é em função da qualidade da água
bruta e da eficiência desejada na redução de
agentes físicos, químicos e microbiológicos
e de outros fatores como custo de
implantação, operação e manutenção.
A Estação de Tratamento de Água (ETA) é o
local onde se localizam as instalações e
equipamentos destinados a realizar o
tratamento de água.
OS PRINCIPAIS PROCESSOS DE TRATAMENTO SÃO:
AERAÇÃO
A aeração é o processo pelo qual uma fase
gasosa, normalmente o ar, e a água são
colocados em contato, com a finalidade de
transferir substâncias voláteis da água para
o ar e substâncias voláteis do ar para a
água, de forma a obter o equilíbrio entre as
substâncias químicas presentes.
A aeração se justifica caso a água a ser
tratada apresente carência ou excesso de
gases e substâncias voláteis intercambiáveis
ou a presença de minerais como ferro e
manganês a aeração provoca a oxidação e a
precipitação facilitando a remoção do
precipitado através de decantação.
Geralmente o processo se aplica em águas que
não estão em contato com o ar, como águas
subterrâneas. Este caso não ocorre no
tratamento de água do SIMAE, pois não é
necessário.
MISTURA RÁPIDA, COAGULAÇÃO E FLOCULAÇÃO.
A mistura rápida consiste em colocar a água
em contato com o coagulante para a obtenção
da reação química uniforme e contínua. É
empregada na mistura rápida, a energia
hidráulica ou mecânica (difusores, ressalto
hidráulico, agitadores mecânicos e motores
de bombas).
A coagulação é o processo de reação química
rápida do coagulante na água. Para a
formação de coágulos, o coagulante de ser
aplicado em pontos de maior turbilhonamento,
para que possa ter distribuição homogênea na
massa de água.
A coagulação é empregada para a remoção de
impurezas que se encontram em suspensão
fina, em estado coloidal ou em solução,
sendo suas principais funções
desestabilizar, agregar e aderir os
colóides, para transformá-los em coágulos.
A floculação é o processo pelo qual as
partículas em estado de equilíbrio
eletrostaticamente instável no seio da massa
líquida são forçadas a se movimentar, a fim
de que sejam atraídas entre si, formando
flocos. Com a continuidade da agitação, os
flocos tendem a aderir uns nos outros,
tornado-se pesados para posterior decantação
nas unidades seguintes.
No processo de floculação, a velocidade da
água deve ser lenta, de modo a haver
formação de flocos e não o seu rompimento.
Na ETA, a coagulação e a floculação ocorrem
em dois pontos distintos: a coagulação é a
aplicação de produto químico coagulante na
água entrando na ETA, em velocidade rápida,
e a floculação é uma agitação na massa
coagulante em velocidade lenta.
Para a fase da coagulação, há necessidade de
aplicação de produtos químicos. Os mais
utilizados são:
Coagulantes, Alcalinizantes e Auxiliares de
Floculação:
·
Sulfato de Alumínio
·
Policloreto de alumínio (PAC)
·
Floculante a base de tanino-extraído da
acácia negra
·
Cal Virgem
·
Argila
·
Sulfato Ferroso
·
Cal Hidratada
·
Sílica Ativada
·
Sulfato Férrico
·
Carbonato de Sódio
·
Polieletrólitos etc
·
Sulfato Ferroso Clorado
·
Hidróxido de Sódio
·
Cloreto Férrico
Para determinar a escolha do coagulante
deve-se levar em conta o pH da água a ser
tratada, pois o pH de trabalho de cada
floculante é distinto:
Coagulantes
|
Faixa de pH |
|
Sulfato de Alumínio |
5,0 a
8,0 |
|
Sulfato Ferroso |
8,5 a
11,0 |
|
Sulfato Férrico |
5,0 a
11,0 |
|
Sulfato Ferroso Clorado |
5,0 a
11,0 |
|
Cloreto Férrico |
> 4,0 |
Para aplicação dos coagulantes são
utilizados aparelhos dosadores que servem
para regular a dosagem conforme a
necessidade.
DECANTAÇÃO
Entre as impurezas contidas na água
encontram-se partículas em suspensão e
partículas em estado coloidal. Partículas
mais pesadas que a água podem manter-se
suspensas nas correntes líquidas pela ação
das forças relativas à turbulência.
A decantação é a separação das partículas
sólidas (flocos), que sendo mais pesadas que
a água tendem a cair para o fundo do tanque
decantador com uma certa velocidade
(velocidade de decantação). Anulando-se ou
diminuindo-se a velocidade de escoamento das
águas, reduzem-se os efeitos da turbulência,
provocando a deposição das partículas.
O decantador é um tanque de sedimentação
usualmente retangular ou circular, onde
acontecem as fases de turbilhonamento,
decantação, ascensão e repouso do material.
O escoamento horizontal dá-se com a água
entrando por uma extremidade, movendo-se na
direção longitudinal e saindo na outra
extremidade. No escoamento vertical, a água
é dirigida para a parte inferior,
elevando-se em movimento ascendente até a
superfície do tanque.
Com relação ao sistema de limpeza e lavagem
no decantador, tem-se a manual, hidráulica e
mecanizada. Consiste, basicamente, na
remoção de flocos acumulados no fundo do
tanque, de modo que estes não interfiram na
qualidade da água retirada da superfície e
encaminhada para as etapas seguintes.
FILTRAÇÃO
O objetivo da filtração é principalmente a
retenção física de partículas e
microorganismos que não foram removidos no
decantador, resultando num efluente final de
melhores características que o efluente do
decantador.
Na filtração ocorre o processo de filtragem
e de absorção, isto é, adesão das impurezas
nos grãos do leito filtrante.
OS FILTROS SÃO CLASSIFICADOS SEGUNDO AS SEGUINTES CARACTERÍSTICAS:
Quanto ao tipo de material:
Areia
Carvão ou Antracito
Carvão-areia
Terra diatomácea
Quanto à camada filtrante:
Camadas superpostas
Múltiplas camadas
Quanto ao tipo de energia:
Pressão
Gravidade
Quanto à taxa de filtração:
Filtros Lentos: são aqueles que funcionam
baixa taxa de filtração (4 m3/m2/dia) e são
usados quando as águas têm baixa cor e
turbidez (< 50 ppm). São normalmente
utilizados em pequenas localidades. O filtro
lento substitui as unidades de coagulação
floculação e decantação é utilizado também
como auxiliar dos filtros rápidos para águas
com turbidez acima de 50ppm , onde primeiro
faz-se a filtração rápida, seguida da
filtração lenta. O uso do filtro lento é
limitado por níveis de turbidez da água e
demanda de área para implantação e operação.
Filtros Rápidos: são aqueles que funcionam
com altas taxas de filtração (180 a 300
m3/m2/dia). Normalmente são de seção
quadrada ou retangular e a altura varia com
a taxa de filtração.
DESINFECÇÃO
Entende-se por desinfecção a destruição ou
inativação de organismos patogênicos e de
outros indesejáveis.
Entre os fatores que influem na eficiência
da desinfecção e, conseqüentemente, no tipo
de desinfetante a ser utilizado estão:
·
Espécie e concentração do organismo a ser
destruído
·
Espécie e concentração do desinfetante
·
Tempo de contato
·
Características químicas e físicas da água
·
Grau de dispersão do desinfetante na água
·
Atributos necessários a um desinfetante:
·
Poder destruir, em tempo razoável, os
microorganismos patogênicos.
·
Não ser tóxico ao homem e animais nas
dosagens usuais
·
Estar disponível no mercado
·
Ter custo razoável, e apresentar facilidade
e segurança no transporte e manuseio.
·
Produzir residuais, de maneira a constituir
barreira sanitária contra eventual
contaminação.
A resistência de algumas espécies de
microorganismos a desinfetantes específicos
varia consideravelmente. A destruição de
organismos por um determinado desinfetante é
proporcional a concentração do desinfetante
e ao tempo de reação. Assim sendo, pode-se
trabalhar com altas concentrações e curto
espaço de tempo ou baixas concentrações e
tempo elevado.
As características químicas da água a ser
tratada devem ser o fator de escolha do
desinfetante, pois se o agente desinfetante
for oxidante, a presença de matéria orgânica
e outros materiais oxidáveis irá consumir
parte da quantidade necessária para destruir
os organismos.
A temperatura também influi no processo de
desinfecção. Em geral, altas temperaturas
favorecem a ação do desinfetante.
Para que os desinfetantes químicos serem
eficientes devem ser atribuídos
uniformemente na massa de água por meio de
agitação.
TIPOS E MÉTODOS DE DESINFECÇÃO MAIS USADOS QUE PODEM SER:
FÍSICOS
Calor - a
ebulição em fervura é um método de
desinfecção doméstica, que elimina os
microorganismos presentes na água. Por
tratar-se de processo térmico, ocorre à
perda de gases presentes na água, havendo
necessidade da aeração da água após a
fervura.
Raio ultravioleta - a água pode ser desinfetada pela exposição aos raios ultravioletas
que são obtidos por meio de passagem de
corrente elétrica através de lâmpadas de
quartzo-mercúrio.
Pasteurização
- a água passa por um aquecimento seguido de
resfriamento rápido, nos moldes da
pasteurização do leite.
QUÍMICOS
Ozona - é um
oxidante muito poderoso. Elimina a matéria
orgânica, remove cor, turbidez, odor e
sabor. As limitações estão no custo,
técnicas mais sofisticadas de aplicação e
por não deixar residual na água.
Iodo - é um
bom desinfetante, mas seu custo é alto para
ser utilizado em sistemas públicos de água.
Prata - é
eficiente e sob a forma coloidal ou iônica,
não confere sabor e odor. Em águas contendo
cloretos sua eficiência diminui.
Cloro - é o
desinfetante utilizado em sistemas de
tratamento de água para consumo humano, pois
além de atender os requisitos necessários
para realizar a desinfecção da água, é o
único desinfetante reconhecido pela portaria
518/2008 do Ministério da Saúde devido a sua
alta eficiência, poder residual, médio custo
e por ser facilmente encontrado no mercado.
Nos sistemas de abastecimento de água o cloro tem as seguintes
utilidades:
·
Desinfecção da água;
·
Desinfecção de tubulações novas;
·
Desinfecção de tubulações em manutenção e
reparos;
·
Desinfecção de reservatórios;
·
Desinfecção de poços.
A CLORAÇÃO E SUAS REAÇÕES QUÍMICAS
Quando o cloro é aplicado em águas naturais,
as substâncias nelas existentes,
principalmente a matéria orgânica e a
amônia, são responsáveis por reações
secundárias das quais as mais importantes
são as que levam a formação de cloretos
inativos (aumentam o teor de cloretos na
água) e as que causam a formação de
cloraminas (NH2 e NHCl2).
As cloraminas têm o poder bactericida, porém
exigem, para um mesmo efeito desinfetante,
um residual 10 vezes maior que o cloro
livre.
Portanto, pode-se ter dois tipos de residual
de cloro: livre e combinado.
Os Sistemas de Abastecimento Público de Água
fazem desinfecção com cloro, denominando-se
este procedimento como cloração. O uso do
cloro também pode ser em mananciais como
algicida ou na pré-cloração, como oxidante
do ferro e manganês que tem presença
natural em águas principalmente
subterâneas, também como oxidante da amônia
e outros compostos.
Quando se adiciona cloro gasoso à água ele
se combina formando ácido clorídrico e ácido
hipocloroso:
Cl2 + H2O
®
HCl + HClO
Na adição de hipoclorito de cálcio, o sal se
dissocia e por hidrólise tem-se:
Ca (CLO)2 + 2H2O
®
Ca (OH)2 + 2HClO
Na adição de hipoclorito de sódio, tem-se a
seguinte reação:
NACLO + H2O
®
NaOH + HClO
Pela adição de qualquer das substâncias
acima, verifica-se a formação do HClO (ácido
hipocloroso), que por sua vez também se
dissocia:
HCl H+ + ClO-
Essa dissociação varia com a temperatura e
com o pH.
Desta forma, o cloro pode ser encontrado na
água nas seguintes formas: Cl-
(cloro molecular), HClO (ácido hipocloroso)
e ClO- (íon hipoclorito).
Em pH < 5,0, prevalece o cloro na forma
molecular. Na faixa de pH entre 5,0 e 7,5
prevalece a forma de ácido hipocloso e em pH
> 7,5 prevalece a forma de íon hipoclorito.
Em todos os casos, as outras formas também
estão presentes, porém em menor
concentração.
Sendo o ácido hipocloso (HClO)
aproximadamente 80 vezes mais poderoso como
desinfetante que o íon hipoclorito (ClO-),
conclui-se, que o poder bactericida do cloro
decresce à medida que o pH aumenta.
Para valores correntes do pH das águas a
serem tratadas (acima de 5,0) o cloro
predominante será sempre nas formas HCLO e
ClO-, sendo denominado cloro
residual livre.
Quando se adiciona cloro à água ele reage
com a matéria orgânica e inorgânica nela
contida, combinando, provocando oxidações ou
originando a coagulação de certos compostos
orgânicos.
Enquanto ele reage rapidamente com a matéria
inorgânica, a reação com a matéria orgânica
é mais lenta, fato importantíssimo a ser
considerado no processo de desinfecção da
água. Há uma aceleração das reações,
proporcional à quantidade de cloro.
Entre as substâncias freqüentemente contidas
na água com as quais o cloro reage, tem
significado especial a amônia (NH3)
e outros compostos nitrogenados, como
proteínas e aminoácidos, com os quais o
cloro forma as chamadas cloraminas e outros
cloros derivados de menor interesse.
A importância das cloraminas na desinfecção
da água reside na particularidade de
conterem cloro disponível para novas
reações, embora menos energéticas do que as
de cloro livre.
NH3 + HClO NH2Cl + H2O
(monocloramina)
NH2Cl + HClO NHCl2 + H2O
(dicloramina)
NHCl2 + HClO NCl3 + H2O
(tricloreto de nitrogênio)
Para valores de pH > 9,0 predominam as
monocloraminas; para valores de pH < 5,0
predominam a dicloramina à medida e
tricloreto de nitrogênio.
Para valores 5,0 < pH < 9,0 forma-se uma
mistura de mono e dicloramina, com
concentrações crescentes para a
monocloramina e decrescente para a
dicloramina à medida que o pH aumenta.
A ação bactericida das cloraminas deve-se
principalmente à dicloramina, o que explica
porque os valores elevados de pH da água são
também desfavoráveis.
O residual de cloro na forma de NHCl2
e NH2Cl se designa cloro residual
combinado.
Quando se aplica cloro à água, uma parte é
absorvida pelas reações que se originam, de
tal modo que seu poder de desinfecção, em
determinado momento, depende somente do
cloro disponível para novas reações, ou
seja, do cloro residual disponível. E este
inclui não somente o cloro residual livre,
mas também as cloraminas (cloro residual
combinado).
Como ambos têm velocidades de reação
diferentes, é importante distinguí-los,
Através de análise.
Define-se demanda de cloro de uma água à
quantidade que a água absorve, sem deixar
residual.
Devido à lentidão de certas reações, tal
quantidade é variável com o tempo de contato
cloro-água, pelo que se deve referir à
demanda de cloro para um determinado tempo
de contato.
Pode-se ainda definir a demanda de cloro de
uma água, para um determinado tempo de
contato cloro-água, como a diferença entre a
dosagem de cloro aplicada e o residual
disponível, ao fim desse período de contato.
Variando-se as dosagens de cloro para um
mesmo tempo de contato acontece um fenômeno
que é chamado ponto de inflexão do cloro ou
break point.
A inflexão do íon amônio para o nitrogênio
(queima úmida) demanda um excesso de cloro
de 8-10 vezes por parte do amônio.
O ponto de inflexão é alcançado quando
houver equilíbrio da relação cloro/matéria
oxidável. A partir desse ponto, poderá
existir um residual de cloro. A permanência
deste residual indica que as reações
químicas e/ou biológicas foram completadas.
A desinfecção constitui-se medida que deve
ser adotada em todos os sistemas de
abastecimento, seja em caráter corretivo ou
em caráter preventivo.
A cloração pode ser feita com cloro líquido,
cal clorada ou hipoclorito.
O cloro deve ser manuseado com cuidado, pois
é perigoso para os indivíduos e é capaz de
destruir materiais. Assim, são necessários
cuidados constantes por parte dos operadores
das ETAS, bem como uma suficiente manutenção
do equipamento de cloração.
Equipamentos utilizados na cloração:
Bombas dosadoras
Hidroejetores
Dosadores de nível constante
Obs: São necessários também os materiais
para manutenção e equipamentos de segurança.
COMPOSTOS DE CLORO MAIS EMPREGADOS
Cloro gás
Fornecido liquefeito em cilindros especiais,
sob pressão, com pureza de 99,99% e com peso
de 40,68 e 900 kg.
Cal clorada
(cloreto de cálcio) -Pó branco com 25 a 30%
de cloro disponível
Armazenada em local seco e frio, a perda de
cloro é pequena, mas em local úmido e quente
deteriora rapidamente. São usadas em
instalações pequenas, em fábricas, piscinas
e em situações de calamidade, sendo aplicada
em soluções de 2,5% de cloro disponível.
Hipoclorito de cálcio (Perchloron, HTC etc).
Pó branco com cerca de 70% de cloro ativo
disponível. Os cuidados de armazenamento são
os mesmos utilizados para a cal clorada e é
aplicado em solução de até 2,5% de cloro
disponível. Pode ser armazenado durante um
ano ou mais, desde que esteja bem
acondicionado.
Hipoclorito de sódio
É encontrado sob a forma de solução a 10% de
cloro ativo embalado em bombonas de 40kg.
Quando de preparo recente, é estável por 3
semanas e deve ser guardado em local escuro
e fresco. A água sanitária é uma solução
diluída de hipoclorito de sódio contendo
entre 2 a 5% de cloro ativo. O uso da água
sanitária para a desinfecção da água tem
alguns inconvenientes, a concentração de
cloro ativo, pois a adulteração deste
produto é muito suscetível. A concentração
de cloro no produto muitas vezes inferior a
declarada em seu rótulo ou comprometida pelo
armazenamento incorreto.
FLUORETAÇÃO
O objetivo convencional do tratamento de
água para abastecimento público tem sido o
de apresentar uma água de boa qualidade
física, química e bacteriológica.
Naturalmente nos primeiros tempos houve
imposição ao emprego de compostos químicos,
como o sulfato de alumínio e cloro, com a
finalidade de tratar a água, o que hoje é
universalmente aceito.
A idéia de adicionarmos à água potável,
substâncias cuja presença possa assegurar o
adequado desempenho fisiológico do corpo
humano constitui-se também numa finalidade
de tratamento de água.
Sabe-se que muitas substâncias presentes nos
alimentos são essenciais à saúde. Certos
elementos presentes na água, em quantidades
muito pequenas, são igualmente importantes.
Assim como o homem necessita de ferro,
cobre, iodo, entre outros, para seu bom
desempenho fisiológico, o flúor administrado
através da água, contribui para a saúde da
população.
IMPORTÂNCIA DA FLUORETAÇÃO
A fluoretação da água previne a decomposição
do esmalte dos dentes que, quando
comprometido, jamais poderá ser refeito.
A fluoretação das águas de abastecimento
público auxilia a produção natural de dentes
mais resistentes.
A constatação dos efeitos benéficos da
fluoretação é possível através de estudos
epidemiológicos a partir da contagem
percentual do chamado Índice de CPO-D
(cariados, perdidos e obturados - dentes)
numa dada população. Desta forma é calculado
este Índice de CPO-D, que é comparado nos
períodos em que esta população recebia água
não fluoretada e após o período de em que
recebeu água fluoretada.
Esses permitiram estabelecer a ingestão
ótima de fluoreto através da água, pois a
ingestão de água com concentrações elevadas,
durante longos períodos, podem causar
fluorose dentária e danos ósseos em crianças
e adultos.
A aplicação de fluoreto na água não deve
ser intermitente, e seus teores adequados,
para que tenha o efeito desejado.
Esse limite é estabelecido através de uma
estimativa da água ingerida diariamente por
uma população. Essa estimativa está baseada
nas temperaturas médias anuais, de modo que
as concentrações de fluoreto adicionadas à
água serão maiores quanto mais baixas as
temperaturas médias e menores quanto mais
altas estas temperaturas.
Os compostos de flúor são encontrados
geralmente em quantidades maiores nas águas
subterrâneas do que nas superficiais. A
solubilidade do fluoreto e a quantidade em
que se encontra na água depende da natureza
da formação rochosa, da velocidade com que
passa sobre as rochas, da porosidade dessas
rochas e da temperatura local. A ocorrência
de fluoretos tende a ser maior em águas
temperadas e alcalinas.
COMPOSTOS DE FLÚOR UTILIZADOS NA FLUORETAÇÃO DAS ÁGUAS
Fluoreto de sódio comercial
É apresentado em forma de pó fino e
granulado, com pureza de 95% e com 45% de
F-. Possui uma solubilidade quase constante
(4,03% à 15ºC e 4,11% a 100ºC).
O pH da solução a 1% é de 6,5 e o da solução
saturada, entre 6,0 e 7,0, não sendo
corrosivo.
Fluossílicato de sódio (sílico-fluoreto de sódio)
É um pó cristalino, branco-amarelo, não
higroscópico, sem água de cristalização. Sua
solubilidade é muito baixa (0,54% a 10ºC e
2,45% a 100ºC).
O pH de uma solução de fluossílicato de
sódio é 3,5. Por ser muito corrosiva, requer
cuidados especiais na manipulação.
São vendidos em embalagens de 25 a 50 kg, de
fácil armazenamento, apresentando, em termos
econômicos, uma pequena desvantagem em
relação ao ácido fluossilícico.
Ácido Fluossilícico
É um líquido incolor, requer equipamentos
mais simples para as dosagens, sendo
economicamente mais vantajoso. Pelo fato de
ser um subproduto do processo de produção de
fertilizantes, em determinadas épocas do ano
(março, abril e maio) é difícil a
disponibilidade no mercado. São
transportados por caminhões-tanque, não são
de fácil armazenamento e apresentam manuseio
e transporte perigosos.
Fluoreto de Cálcio
Solubilidade 0,0016%. Solúvel em ácidos e
também em solução de sulfato de alumínio.
Praticamente não é utilizado na fluoretação
devido às inúmeras dificuldades de sua
aplicação, apesar de oferecer vantagens do
ponto de vista econômico.
Dos produtos acima descritos os mais
utilizados são o ácido fluossilícico e o
fluossílicato de sódio.
A quantidade do composto de flúor,
necessária a uma determinada água, depende:
·
Da pureza do composto a ser utilizado.
·
Da dosagem de fluoreto natural na água.
·
Do teor de íon fluoreto do composto.
·
Da concentração desejada para a água
tratada.
·
Da média das temperaturas máximas diárias.
·
Os equipamentos mais utilizados para dosagem
de flúor são:
Bomba dosadora;
Dosador de nível constante (DNC).
4.
RESERVATÓRIO DE DISTRIBUIÇÃO
Os reservatórios de distribuição têm como
finalidade:
Garantir a quantidade de água, regularizar
as diferenças entre abastecimento e consumo;
Garantir o armazenamento da água para as
demandas de emergência (reserva de
incêndio);
Melhorar as condições de pressão da água na
rede de distribuição.
Em função da localização da captação,
estação de tratamento e do setor de
distribuição, pode-se ter os reservatórios
classificados em reservatório de montante,
de jusante ou de sobras. Quanto à
localização dos reservatórios no terreno,
podem ser enterrados, semi-enterrados,
stand-pipes e elevados. O material de
construção pode ser alvenaria, concreto,
aço, entre outros; e seus formatos
retangulares, circulares, paralelepipedais
ou troncopiramidais.
5. REDE DE DISTRIBUIÇÃO
É o conjunto de tubulações que percorre as
vias públicas (ruas e passeios), conduzindo
água tratada até os consumidores (casas,
prédios, unidades de saúde, hotéis,
escolas, quartéis etc).
A rede de distribuição é constituída de
tubulações de diversos diâmetros, sendo que
os maiores diâmetros formam a rede
principal, que alimenta os de menor diâmetro
(rede secundária), responsável por levar a
água diretamente ao ponto de consumo.
Além das tubulações, as conexões, registros
e hidrantes completam a rede de
distribuição.
Para que a água mantenha o padrão de
potabilidade na rede de distribuição, alguns
aspectos construtivos devem ser observados,
tais como:
A pressão deve ser positiva em qualquer
ponto da rede de distribuição, isto é, a
água deve atingir todos os pontos da rede de
distribuição com pressão controlada entre 10
e 60 mca.
A rede deve estar protegida de contaminação
externa. Além de certificar-se da
estanqueidade das tubulações, recomenda-se
assentar a rede de distribuição de água a
uma distância mínima da três metros da rede
coletora de esgotos, em nível superior ou em
extremos opostos da via pública.
Boas condições de operação do sistema de
abastecimento evitam interrupções de
fornecimento de água, momento propício à
ocorrência de queda de pressão na rede de
distribuição, favorecendo a entrada de
contaminantes dentro das tubulações.
A rede de distribuição deve ser provida de
registros e dispositivos que permitam
manutenção e descargas de rede sem prejuízo
do abastecimento ou alteração no padrão de
potabilidade.
6. RAMAL PREDIAL
É a tubulação compreendida entre a peça de
derivação da rede de distribuição e o
hidrômetro do consumidor. Como parte da rede
de distribuição, sua instalação e manutenção
são da competência do órgão operador do
sistema de abastecimento. |