China, Rússia e outros aliados barram medidas internacionais contra Venezuela

11/08/2017

GENEBRA - Ao mesmo tempo em que o governo americano e diversos países latino-americanos endurecem o discurso contra o regime de Nicolás Maduro, Caracas aposta em uma aliança ampla que costurou nos últimos 20 anos com dezenas de países em desenvolvimento para tentar se blindar no cenário internacional.   Nos bastidores, são esses governo aliados que têm impedido por enquanto qualquer tipo de ação maior contra a Venezuela, seja nas Nações Unidas, na União Europeia (UE), na Organização dos Estados Americanos (OEA) e mesmo na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Diplomatas de Caracas consultados pelo Estado admitiram que esperam que essa aliança não perca força, mas reconhecem que, a cada dia, a pressão sobre governos tem sido maior para que abandonem o apoio a Maduro. Nas Nações Unidas, a prioridade de Caracas é que a crise não chegue até um debate no Conselho de Segurança. A reportagem apurou que Rússia e China já têm demonstrado em conversas privadas que não estão dispostas a considerar resoluções contrárias ao país sul-americano. 

Nesta semana, o Kremlin criticou o fato de a oposição "usar apoio externo" para "escalar tensões". Há dois meses, quando o presidente do Brasil, Michel Temer, esteve em Moscou para encontros com o colega Vladimir Putin, o tema entrou na agenda. Mas nenhuma posição comum foi adotada.  Os russos também são principais fornecedores de armas para a Venezuela. Levantamento interno da OEA constatou que Maduro foi o presidente latino-americano que mais comprou armas - no mundo, entre 2011 e 2015, Caracas ficou na décima posição sob o mesmo critério. A estimativa é que o governo bolivariano tenha 5 mil mísseis terra-ar de fabricação russa, o que o transformaria no país com o maior arsenal conhecido na América Latina.

Na China, a declaração oficial de Pequim é que "o governo e o povo venezuelano tem a habilidade de lidar com seus assuntos domésticos". Pequim foi um dos maiores investidores no petróleo venezuelano na última década. E, em quase 20 anos, Pequim emprestou mais de US$ 60 bilhões para a Venezuela, ganhando acesso ao petróleo do país. Diplomatas na ONU apontam que, para os chineses, o que importa não é a manutenção ou não de Maduro no poder, mas a garantia de estabilidade, mesmo que seja com outro governo. 

No Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, que se reúne em setembro e também poderia discutir a crise venezuelana, o apoio costurado por Caracas é amplo e se vale principalmente do Movimento dos Países não-alinhados. Com Hugo Chávez, o grupo voltou a ter suas reuniões prestigiadas por chefes de Estado. Hoje, a Venezuela espera a retribuição de Bolívia, China, Congo, Cuba, Equador, Etiópia e África do Sul, entre outros. Na Opep, a aposta dos venezuelanos para barrar alguma ofensiva de sauditas e outros aliados dos EUA é o governo do Irã. Os dois países aprofundaram suas relações nas últimas décadas a ponto de ser criada uma rota aérea entre Caracas e Teerã, que funcionou por alguns meses.

Mesmo na OEA, a falta de uma ação mais enfática se dá, segundo diplomatas, por ação da rede de pequenos países que passaram a ser abastecido com petróleo subsidiado pelo regime bolivariano por quase 20 anos. Agora, Caracas também cobra retribuição. Por fim, a Europa também tem patinado em adotar sanções, como sugerem países como Espanha. Uma das vozes dissidentes é a da Grécia, cujo governo recorreu em diversas ocasiões aos venezuelanos durante a crise do euro. Atenas chegou a consultar Caracas sobre a possibilidade de aproximar o governo de um abastecimento de petróleo subsidiado por parte da Rússia.

 

Fonte: Estadão

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